sábado, 16 de abril de 2011

COMO IMPROVISAR

Improvisação é a arte da criação espontânea. Esse momento de liberdade pode enriquecer tanto uma música que, às vezes, chama mais atenção do que o próprio tema. Como grandes guitarristas conseguem criar solos incríveis em shows e gravações, sem pré determiná-los?
Os modos gregorianos, aplicados com freqüência em solos de guitarra, recebem muitas vezes abordagens equivocadas quando estudados. Eles, em geral, são associados e empregados de forma mais técnica do que musical. Preocupados com a velocidade, muitos guitarristas se esquecem de explorar o lado sonoro e individual de cada modo.
Podemos definir as escalas como sons individuais ordenados. Melodias empregam notas de alturas diferentes em movimentos de graus conjuntos e saltos ascendentes ou descendentes, conhecidos como intervalos.
Quem nunca ouviu falar da escala de dó maior, formada por dó, ré, mi, fá, sol, lá e si? Observe que nesta seqüência, há dois tipos diferentes de intervalos. O semitom, adotado pela música ocidental como a menor distância entre duas notas (no violão ou guitarra esta distância equivale a um traste ou casa do instrumento), e o tom que corresponde a soma de dois semitons (dois trastes do instrumento).
Assim, a seqüência dessas distâncias encontra-se dessa maneira:



MI


SOL


SI


T

T

ST

T

T

T

ST



MODOS DERIVADOS E PARALELOS

Conforme já vimos: Podemos definir modo com a maneira particular com que tons e semitons encontram-se dispostos entre as notas de uma escala. Os modos derivados são todos aqueles gerados por um mesmo grupo de notas que formam uma escala. Cada novo modo parte de um grau da mesma escala e mantém as mesmas notas, mudando apenas a ordem de T e ST.

Veja os modos derivados da escala de dó maior na tabela a seguir:
MODOS DERIVADOS DA ESCALA DE DÓ MAIOR
MODOS
NOTAS
INTERVALOS
DISTÂNCIA
C JÔNIO
C - D - E - F - G - A - B - C
F - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8
T - T - ST - T - T - T - ST
D DÓRICO
D - E - F - G - A - B - C - D
F - 2 - 3b - 4 - 5 - 6 - 7b - 8
T - ST - T - T - T - ST - T
E FRÍGIO
E - F - G - A - B - C - D - E
F - 2b - 3b - 4 - 5 - 6b - 7b - 8
ST - T - T - T - ST - T - T
F LÍDIO
F - G - A - B - C - D - E - F
F - 2 - 3 - 4# - 5 - 6 - 7 - 8
T - T - T - ST - T - T - ST
G MIXOLÍDIO
G - A - B - C - D - E - F - G
F - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7b -8
T - T - ST - T - T - ST - T
A EÓLIO
A - B - C - D - E - F - G - A
F - 2 - 3b - 4 - 5 - 6b - 7b - 8
T - ST - T - T - ST - T - T
B LÓCRIO
B - C - D - E - F - G - A - B
F - 2b - 3b - 4 - 5b - 6b - 7b - 8
ST - T - T - ST - T - T - T
F= fundamental T= tom ST= semi-tom


Já os modos paralelos começam com a mesma fundamental. Observe a tabela:

MODOS PARALELOS DE DÓ MAIOR
MODO
ESCALA
TOM
DÓ JÔNIO
C - D - E - F - G - A - B - C
C
DÓ DÓRICO
C - D - Eb - F - G - A - Bb - C
Bb
DÓ FRÍGIO
C - Db - Eb - F - G - Ab - B - C
Ab
DÓ LÍDIO
C - D - E - F# - G - A - B - C
G
DÓ MIXOLÍDIO
C - D - E - F - G - A - Bb - C
F
DÓ EÓLIO
C - D - Eb - F - G - Ab - Bb - C
Eb
DÓ LÓCRIO
C - Db - Eb - F - Gb - Ab - Bb - C
Db

Note que, diferente dos modos derivados, os paralelos não possuem as mesmas notas em suas constituições, mas mantém entre as suas notas a mesma relação intervalar (seqüência T e ST), presente no modo derivado correspondente. Você pode repetir o mesmo processo que utilizamos com a escala de dó maior em outras escalas: menor harmônica, menor melódica, entre outras.
Toda e qualquer escala pode gerar um número de inversões igual ao número de notas de sua constituição. Repare que com uma escala com sete notas, conseguimos criar sete modos. O mesmo acontece com a escala pentatônica (que veremos adiante). Esta escala tem cinco notas, então podemos criar cinco modos sobre ela. A mesma coisa pode ser feita com acordes, tríades, tétrades, etc.

ABERTURA MODAL

Você já sabe como construir os modos. Mas será que a ordem sugerida para a sua construção seria a melhor forma para estudá-los de forma mais musical? Na década de 60, músicos como George Russel começaram a ver a importância do estudo dos modos levando em consideração a sua própria dilatação intervalar ou espaçamento entre as notas.
Tendo como referência uma mesma nota fundamental, os modos com espaçamentos mais abertos produziriam segundo esta proposta, uma sonoridade mais plana. Os modos mais fechados teriam um som menos brilhante, mais sombrio. Por exemplo, no modo lídio, a quarta aumentada (4#) mantém uma distância de um tom da terça maior, e a sexta maior separa-se por um tom da sétima maior ― terça e sétima são considerado os pilares mais sólidos de uma escala ou acorde, qualquer conflito com eles gera tensão.
Os sons mais tensos das escalas mais fechadas causam sensações opostas. Desta forma, os modos podem ser organizados de maneira que haja apenas a mudança de uma nota entre cada um.
Veja a tabela abaixo que ordena os modos de acordo com seus espaçamentos internos. Note que, na mudança de lídio para jônio, a quarta aumentada desce para justa. De jônio para mixolídio, a sétima maior desce para sétima menor. De mixolídio para dórico, a terça maior desce para menor. De dórico para eólio, a sexta maior desce para sexta menor. De eólio para frígio, a segunda maior desce para menor. De frígio para lócrio, a quinta justa desce para quinta diminuta.


LÍDIO
F

2

3

4#
5

6

7
8
JÔNIO
F

2

3
4

5

6

7
8
MIXOLÍDIO
F

2

3
4

5

6
7b

8
DÓRICO
F

2
3b

4

5

6
7b

8
EÓLIO
F

2
3b

4

5
6b

7b

8
FRÍGIO
F
2b

3b

4

5
6b

7b

8
LÓCRIO
F
2b

3b

4
5b

6b

7b

8

Neste conceito, o modo lídio ganhou disparado como o menos tenso de todos, por ser o mais espaçado e produzir uma sonoridade mais plana. O lócrio é o mais tenso e fechado.
Com este conhecimento, pode-se ter várias possibilidades de improvisar sobre uma progressão harmônica. O exemplo abaixo, mostra a mesma frase aplicada sobre uma progressão II - V - I.

O conceito de abertura modal pode ser aplicado aos mais variados estilos. Pesquisar sempre é a palavra de ordem. Analisar solos e temas conhecidos é um grande estudo. Sobre um solo que você já conheça, faça a análise dos intervalos existentes em relação à harmonia, compare com os modos e descubra qual deles foi usado. Depois execute o mesmo solo alterando o intervalo-chave para mudar para outro modo.

Veja a diferença modal causada por cada escala:


EXERCÍCIO PARA O OUVIDO INTERNO

Você pode fazer um importante exercício para conhecimento da sonoridade única e individual de cada modo. Pegue seu instrumento, toque o modo lídio e cante as notas. Repita por algumas vezes até ganhar confiança. Depois deixe o instrumento de lado e tente cantar sozinho. Faça o mesmo com os outros modos.
Seja paciente, isso poderá levar algumas semanas ou meses, depende do grau de intimidade que cada um tem com os modos. Como há sete escalas, pode-se dividi-las em três maiores e quatro menores. A terça maior nos daria assim um caráter mais alegre, enquanto a terça menor dá um sabor mais triste e melancólico.
Escalas - Pentatônica e Blues

Escalas pentatônicas são escalas contendo apenas 5 notas. Existem 2 tipos básicos de escala pentatônica, a menor e a maior, ambas derivadas das escalas maiores e menores já vistas nas lições anteriores.
A escala pentatônica é obtida pela eliminação dos únicos graus que diferem as escalas maiores, ou seja: o IV e o VII graus da escala. Tem-se, portanto uma escala derivada simplificada denominada pentatônica da lá maior:

Esta escala pode ser utilizada em substituição à escala maior para execução de solos e improvisações.
Entretanto, os blues são freqüentemente solados com uma escala menor, o que contribui para o caráter dúbio que este tipo de musica possui. A escala de Am, relativa deC, possui todas as notas desta última escala (já estudamos isto!), como a seguir:
A     B      C     D     E      F     G     A

A pentatônica menor também é obtida suprimindo-se os graus que diferem as escalas menores, ou seja, o II e o VI graus e, pode também ser utilizada em substituição a escala diatônica menor em solos e improvisações.

Esta escala, pentatônica de Am, assim como a escala maior, pode ser repetida para qualquer nota movendo-se este mesmo desenho para cima e para baixo ao longo do braço do instrumento. Embora você possa utilizar esta escala para solos e improvisações de blues, a verdadeira escala blues contem 6 notas, como veremos a seguir.
A nota que efetivamente marca o estilo blues, que dá aquela conotação triste às melodias, é a Vb (quinta bemol), uma nota que foi acrescentada entre o IV e o V graus na escala pentatônica menor. Esta nota é tão característica do estilo blues que é normalmente conhecida por blue note (nota triste).

Os modos pentatônicos (cinco notas naturais).


1 -
Dó - Ré - Mi - Sol - Lá - Dó

2 -
Ré - Mi - Sol - Lá - Dó - Ré

3 -
Mi - Sol - Lá - Dó - Ré - Mi

4 -
Sol - Lá - Dó - Ré - Mi - Sol

5 -
Lá - Dó - Ré - Mi - Sol - Lá


Como foi visto no item <> cada escala com sete notas é possível fazer sete inversões. Com a pentatônica também é possível fazer cinco inversões, visto que esta possui cinco notas.

1ª REGIÃO

2ª REGIÃO





3ª REGIÃO

4ª REGIÃO

5ª REGIÃO

Os exemplos das pentatônicas acima estão na tonalidade de Sol Maior / Mi Menor, mas também pode ser aplicado sobre a tonalidade de Dó Maior / Lá Menor, visto que não tem nenhum acidente neste exemplo (# ou b)

 IMPROVISAÇÃO SOBRE CAMPOS HARMÔNICOS MAIORES
Para tocar sobre progressões envolvendo determinado campo harmônico, devemos tocar a escala do campo harmônico envolvido sobre os seus acordes diatônicos.1- | 4/4 Bm7 |  A7M  |  D7M  |  E7  |
Esc. maior em A ------------------------
2- | 4/4 Em7  |  A7(13)  |  D7M  |  %  |
Esc. maior em D---------------------------
3- |4/4 Am7  |  D7  D/C  |  G/B  |  Em7  |
Esc. maior em G------------------------------
4- |4/4  F7M  |  G7(9)  |  C7M  Am7  |  Dm7  G7  |
Esc. maior em C-------------------------------------------
5- |4/4  Dm7  |  Bb7M  |  C7(9) |  F7M  |
Esc. maior em F------------------------------                                                                                          IMPROVISAÇÃO SOBRE CAMPOS HARMÔNICOS MENORES Seguimos aqui, o mesmo processo dos campos maiores, isto é, tocamos a escala do 
campo harmônico envolvido. Devemos, porém, prestar atenção especial ao tipo de 
campo, quer dizer, se este pertence à escala menor harmônica, menor melódica ou menor natural.6- | 4/4 Bm7(b5)  |  E7(b9)  |  Am (7M)  |  %  |
Esc. men. harm. em A----------------------------
7- | 4/4 Cm (add9) |  Fm7(9)  |  G7(b13)  |  Cm(7M/9)|
Esc. men. harm. em C--------------------------------------
8- | 4/4  Db7M  |  C7(b9)  |  Fm (7M)  |  Ab7M(#5)  |   
Esc. men. harm. em F------------------------------------
9- | 4/4  Em(7M)  |  D# |  Am7  |  Em (add9)  |
Esc. men. harm. em E-----------------------------
10- | 4/4  Am7  |  B7(b9/b13)  |  Em (7M/11)  |  %  |
Esc. men. harm. em E-----------------------------------11- | 4/4  Dm7  |  G7(b13)  |  Cm(add9)  |  %  |
Esc. men. melódica em C-------------------------
12- | 4/4  Bb7(#11)  |  C7(9)  |  Fm6  |  %  |
Esc. men. melódica em F--------------------
13- | 4/4  A#7(alt.)  |  D7M(#5)  |  F#7(b13)  |  Bm6  |
Esc. men. melódica em B---------------------------------
14- | 4/4 C#m7(b5)  |  F#m7  |  B7(9)  |  Em6  |
Esc. men. melódica em E-------------------------
15- | 4/4  Am6  |  E7(9)  |  D7(9)  |  Am6  |
Esc. men melódica em A--------------------                                                                                                                  IMPROVISAÇÕES ENVOLVENDO MAIS DO QUE UM CAMPO HARMÔNICO
Para improvisar sobre progressões envolvendo mais do que um campo 
harmônico, devemos tocar as escalas dos centros tonais envolvidos sobre os seus acordes 
diatônicos.
16- | 4/4  Dm7(b5)  |  G7(b13)  |  Cm7  |  F7(9)  |  Bb7M  |  %  |
C men. harm. ---------------------Bb maior--------------------------
17- | 4/4 Em7 |  A7 |  D7M |  % |  Dm7 |  G7 |  C7M |  % |  Cm7 |  F7 | Bb7M| Eb7M |
D maior-----------------------------C maior--------------------Bb maior-----------------------
18- | 4/4 Bm7 | E7(b13) | Am6 | D7(9/#11) | Dm7(b5) | G7(b13) | Cm(add9) |  %  |

A men. mel.-------------------------------------C men. harm.-------------------------------  

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